Sunday, February 18, 2007

Décimo Número do Subversivo

Todos Diferentes todos Iguais? Por Edgar Teles

A igualdade é um direito que, em princípio, deveria ser adquirido e, se bem que na prática legislativa já o foi, nas mentalidades ainda está longe de o fazer. A quando de um crime é hábito dizer este preto aquele cigano o que, no plano das mentalidades, revela ainda o que este povo conota a criminalidade com a designação étnica. No plano da globalização, Portugal representa a aldeia, não global, mas local. Desconfiada, escoondida, sempre com medo do próximo como nos meios menos urbanos. A acção e pensamento face ao outro são sempre na óptica da desconfiança pensando sempre os pontos mais pejorativos que este pode trazer. Lá vem aquele “macaco” roubar emprego aos de cá, lá vem aquele Ivan lá de leste de onde se comia crianças ao pequeno-almoço são expressões correntes em Portugal. Muitas vezes não é preciso rapar-se a cabeça e tatuar a suástica para se ser ou tomar atitudes xenéfobas, muitas vezes começam com aqueles frases maldosas gozando e humilhando as pessoas, quer pelo seu português, quer pela proveniencia delas criando um estigma nessas mesmas pessoas muito grande. A culpa do mal da sociedade, nesta óptica é sempre de quem é de fora mesmo que esses venham realizar a tarefa que o mui erudito doutor sapateiro português, que é também conde da enxada, não quer fazer. No plano das mentalidades há muito que mudar para que a a igualdade de direitos não seja mais tinta gasta, mas uma realidade nas mentalidades portuguesas. Aulas d eeducação civica, como muitras vezes me falou a minha amiga Cristina do décimo segundo ano, parecem-me, igualmente, uma forma de criar essa sociedade plural. É altura do galo campónio dar lugar ao relógio mecânico, assim como a mente do português a uma nova realidade.

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