O crepúsculo da Idade, por Edgar Teles
Cobre-te, com a manta, velho
Eis que é chegado o Inverno
Cobre-te, na teia da tua avareza
Coloca almofadas para disfarçar a tua magreza
Quantas vezes, ó velho! Não quiseste tu sujar as mãos no carvão do trabalho
Quantas vezes, ó velho, quiseste tu, vida fácil?
Cobre-te na casa, recluso sem amigos e sem lume
Quando novo, veloz e ágil
Muito quiseste uma fortuna, tiveste,
Mas não a fortuna para a gerir
Perdeste os dias no vinho e a rir
Sem o passar do tempo te molestar
Mas eis que são chegados os dias do crepúsculo
O riso é uma recordação amarga
Com o choro paga
A tua casa sempre em festa, hoje, decadente
Portas quebradas, tachos vazios, a miséria, sorridente,
Onde estão os teus companheiros de aventura?
Terrores da noite, madrugadores do meio-dia
Baixaram e fecharam os olhos no sono da eternidade
E tu? Preso numa vida sem cor, sem poderes realizar as tuas necessidades
Antes a carne era comida, duas vezes ao dia,
Hoje, sopa de ervas daninhas com musgo pelo jantar
O velho homem!!! Que é feito de ti?
Antes tinhas o perfume de uma nova conquista, na tarde onde te levantavas
Hoje uma figura decrépita, triste e agoniada
Sem ninguém ao pé de ti
O velho que não és homem mas nação
Presa no retalho dos vícios e com vaidade para não ser medicada
Orgulho pedregoso que te afoga, em ti mesmo,
Não é tarde apesar de entardecer.
Monday, February 26, 2007
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