Os velhos tempos da emigração por Susana Bravo
À la gare d’Austerlitz chegaram;
De roupa no corpo, e garrafão de vinho na mão,
Olhos perdidos de emoção, que farejavam tudo aquilo que viam,
À nova pátria chegaram para serem príncipes dum reinado inventado
Clandestinos por excelência, amadores da pobreza e da dureza,
traficantes duma heroína de vida que a apelaram de conquista,
Ciganos por trato e por título, dormiam em bindovilles,
Não eram nada! Fome e pobreza atravessaram, letras ignoravam
Força tinham nas mãos,
Pensamentos de construtores de prédios que edificavam,
Um pedaço de terra desejavam na pobre pátria que abandonaram,
Vendedores de auto-estradas e caminhos-de-ferro,
que tão bem amado seu nome ficou
Filhos desprezavam e amavam por serem deles, mas no ardor e na alma alguma coisa chamava mais forte…
Amor pela pátria não renegavam, mas com o tempo foram esquecê-la
De francês nada sabiam, português muito mal…
Hoje ainda os vemos misturados pelo cansaço e pela destreza envolta na sapiência da vida,
De rostos alegres pelo sol e olhos tristes pela música
Unidos e ao mesmo tempo aventureiros ainda não conhecem a evolução,
Semi-francofonos dum lado, despatriados doutro,
Arrastam sua pronuncia com alguma mistura de francês,
Filhos da terra chacinada e mal tratada a evoluíram com seu trabalho
Reclamam o reconhecimento e a culpa a quem não os ama,
Trazem a intriga popular e a devoção,
Mais forte que a miséria é a sua educação
Vitimas e culpados da ignorância,
Inocentes e respeitados pela vida de sacrifício
Abrem as portas àqueles que conhecem,
mas calejados se tornaram com os anos que passaram
Filhos duma nação que por vezes não tem nome.
Que os matem esquecidos,
de pátria mãe a chamaram ao seu País
Fado é o seu destino,
Revolução a aclamaram
como desejo de partida à progressão.
Sunday, March 11, 2007
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