Tuesday, April 17, 2007

Trigésimo Quarto Número do Subversivo

Recordando do caso Sócrates
“Leitura obrigatória!” por Susana Bravo

Sobre a «Mini-Odisseia» do diploma de Sócrates, gostava apenas de a ver numa perspectiva lógica. Por ela, acredito em tudo o que o Primeiro-Ministro disse, mas ao mesmo tempo acredito em tudo o que se diz contra ele, porque tudo o que foi dito foi na base de factos, esses indesmentíveis. Porém as circunstâncias em que os acontecimentos que chegam até nós por esses factos, deixam espaço para continuarmos com as nossas dúvidas.Resolvi fazer três simples abduções, isto é, silogismos em que a premissa menor é apenas provável. Provável porquê? Porque não é evidente, e aqui nestes casos em particular, a informação que dispomos deixa sustentá-las pela simples boa-fé. Ora a fé é o princípio da incerteza.I-Nenhum aluno normal é favorecidoSócrates foi um aluno normalSócrates não foi favorecidoSócrates pode dizer tudo o que quiser sobre os eventuais favorecimentos da Universidade ou da sua parte para com a Instituição. A questão é saber se ele, nas circunstâncias em que se inscreveu na Independente era ou não um aluno normal. Duvidoso é de crer que ele era como um anónimo, que parece que foi o que ele quis dizer na sua entrevista. Na altura, Sócrates era deputado do PS. O argumento dado na entrevista foi que nessa altura ele ainda não era Secretário de Estado e portanto não haveria hipótese de favorecer a UnI. O contrário ficou por explicar, se é que sob esta lógica o contrário se justifica. Se tal é verdade, já se sabe que é bem provável que a partir de um determinado posto executivo, os governantes dispõem de meios para favorecer os amigos e demais instituições a que estão ligados. Nada de novo.De qualquer forma, Sócrates era deputado, e um deputado tem já muita notoriedade para ser favorecido ou para mover favorecimentos. Afinal de contas na legislatura seguinte o “anónimo Sócrates” foi logo escolhido para ser Secretário de Estado. Outra coisa estranha é o facto de terminada a licenciatura, já fazendo parte do governo, a UnI contactar logo o recém-licenciado Sócrates para ocupar um posto de docente.Contudo, a situação de normalidade do aluno Sócrates não se punha em questão, não obstante o facto de ele ser à altura, deputado, se o processo de transferência não tivesse sido feito com a opacidade que foi feito. Continuo a achar aquilo esquisito...e digo isto, para que não se investigue apenas o Primeiro-Ministro, mas também as Universidades.II-Todos os alunos licenciados têm diplomaSócrates licenciou-seSócrates tem o diplomaSócrates pode apresentar todos os papéis. Não se trata de uma questão de boa-fé. Trata-se de uma questão de visão. Estão lá. Não há nada para os discutir. Contudo, fica uma dúvida no ar quanto à maneira como esse diploma foi obtido e as circunstâncias em que ele foi assinado - a um Domingo.
III- Nenhum deputado tem de ser licenciadoSócrates era licenciadoSócrates não tinha de ser deputadoNo meio de toda esta situação, o estranho são os dados biográficos do deputado José Sócrates que constam da biografia de deputados da AR. Dois documentos com a mesma data, mas com conteúdos diferentes, apesar de se referirem à mesma pessoa. Eu aqui acredito num puro factor de snobismo do aluno Sócrates, que enquanto o era, queria deixar de o ser, intitulando-se algo que nunca viria a ser, mesmo que simbolicamente. Mas esta do simbólico também não pega, porque Sócrates não era então licenciado.Apesar de todas as probabilidades e improbabilidades, penso que a partir de aqui, quem quiser continuar a discutir o assunto é por simples opção, uma má opção.

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