Monday, February 26, 2007

Vigésimo Quinto Número do Subversivo

O crepúsculo da Idade, por Edgar Teles

Cobre-te, com a manta, velho
Eis que é chegado o Inverno
Cobre-te, na teia da tua avareza
Coloca almofadas para disfarçar a tua magreza
Quantas vezes, ó velho! Não quiseste tu sujar as mãos no carvão do trabalho
Quantas vezes, ó velho, quiseste tu, vida fácil?
Cobre-te na casa, recluso sem amigos e sem lume
Quando novo, veloz e ágil
Muito quiseste uma fortuna, tiveste,
Mas não a fortuna para a gerir
Perdeste os dias no vinho e a rir
Sem o passar do tempo te molestar
Mas eis que são chegados os dias do crepúsculo
O riso é uma recordação amarga
Com o choro paga
A tua casa sempre em festa, hoje, decadente
Portas quebradas, tachos vazios, a miséria, sorridente,
Onde estão os teus companheiros de aventura?
Terrores da noite, madrugadores do meio-dia
Baixaram e fecharam os olhos no sono da eternidade
E tu? Preso numa vida sem cor, sem poderes realizar as tuas necessidades
Antes a carne era comida, duas vezes ao dia,
Hoje, sopa de ervas daninhas com musgo pelo jantar
O velho homem!!! Que é feito de ti?
Antes tinhas o perfume de uma nova conquista, na tarde onde te levantavas
Hoje uma figura decrépita, triste e agoniada
Sem ninguém ao pé de ti
O velho que não és homem mas nação
Presa no retalho dos vícios e com vaidade para não ser medicada
Orgulho pedregoso que te afoga, em ti mesmo,
Não é tarde apesar de entardecer.

Thursday, February 22, 2007

Vigésimo Quarto Número do Subversivo

O Silêncio dos Inocentes, por Susana Bravo



"I can't speak... Bin Laden kill me! oh god! Save this country from the devil! Mummmm I need your help!" "Silêncio dos inocentes. Não perca o Próximo episódio"

Vigésimo Terceiro Número do Subversivo

A lenga-lenga da poluição por Susana Bravo

Pois é, infelizmente a poluição é cada vez maior, há muita gente que a ignora e praticamente nas escolas entre amigos ou na televisão ouvimos falar que a poluição é cada vez maior. Infelizmente por muito inteligente que homem seja é por vezes o mais estúpido já para não falar o mais destrutivo dele mesmo, dos outros animais e da natureza. Vocês seres humanos querem “ouvir”, ou melhor saber quantas arvores já foram destruídas estes ultimo decénio de ano pois eu gostava de dar o numero certo mas é infinito, e quantos gazes das viaturas dos autocarros das industrias nós consumimos é uma coisa exorbitante, já para não falar decerto do cigarro, meus amigos citadinos quando chegam às vossas casas não sentem como que uma chaminé dentro de vós mesmos que sabe a alcatrão, poeira, gazes e mais gazes? Bem já para não falar dos derramamentos de petróleo, disso tudo em simultâneo, enfim o homem infelizmente pensa ainda muito pouco nisto. Basta olharmos para a índia, para a china para a Grécia para praticamente todas as cidades europeias e o que é que encontramos uma enorme nuvem de poluição sobre os nossos céus, isto faz-me lembrar quando saía da minha zona e ia para a janela do centro comercial e lá estava ela, aquela enorme nuvem cheia de gazes semi – artificial, que se construía graças a esta falta de consciência do homem, mas depois dizemos o campo é que é bom, mas o campo é só para as férias quando é que as pessoas deixam de ser menos egoístas e consumistas e começam por optar por outros meios não seria mais benéfico, mas pronto o comodismo é de facto superior a isto tudo, mas cada vez mais o buraco do ozono é maior, a mim deixa-me esta mensagem a quem for ler, pois de vez enquanto convém reflectir nas coisas já que não seja para ajudar aqueles que pensam nisso, claro que o mundo está numa razia de problemas mas como este é mais um aproveitemos para pensar nele…ou melhor para fazermos algo por ele…

Wednesday, February 21, 2007

Vigésimo Segundo Número do Subversivo

Os três efes revisitados por Edgar Teles

Há muita gente que pensa que os três efes são uma coisa do passado, todavia o será? … No tempo do Salazar os três efes tinham uma máquina de propaganda de estado a protegê-los.
Hoje, porém, continuam a coexistir de forma indirecta, quiça, com mais poder ainda que nesses tempos. As preocupações dos portugueses continuam viradas para o tema de diálogo relacionado com esses temas, nas ruas é mais facilmente tema de conversa o golo de João Pinto ou o penalti de Rui Costa, do que temas mais prementes e construtivos para a realidade. O futebol, a parte da prática desportiva, leva a criação de uma imagem de um Portugal que é só capaz de se afirmar pela prática desportiva, esquecendo um Saramago, os bons resultados nos encontros de Matemática que muito mais valorizam o país. Mais. A própria imagem, o próprio apetizing gerado em torno deste evento torna-se, muitas vezes um escape social, qual ecstazy, que leva a que o Portugês fique alienado face à realidade em seu redor, fazendo parecer um dos poucos motivos pelo qual o português pode sorrir.
O F do Fado é hoje substituído pelo N de Novelas que devoram a atenção dos portugueses no horário nobre. Enquanto Fátima, não necessariamente Fátima mas a vivência de uma religiosidade cega que afecta o livre arbítrio do português. Toda essa vivencia ligada à igreja Catolica é um bloquei no desenvolvimento social e cientifico para Portugal. No tempo do salazarismo era feito com intenções politicas.
Hoje, infelizmente, sob a capa de entretenimento, esses três factores agem como um ópio que seda o português da realidade tornando um zombie que age movidos por esse padrões sem personalidade, que o torna uma sociedade de carneiros mal mortos que julgam que são leões, cuidando mais da estética corpea do que da estética das ideias. Não sou um pseudo intléctual a receitar uma injecção de bach para toda a gente, não que não o fosse necessário, mas antes com uma sociedade com um poder de oferta bem superior ao que tinhamos nós tinhamos no salazarismo os três efes continuem um opio mental imenso. Que Portugal nos espera ?…

Vigésimo Primeiro Número do Subversivo

Portugueses, os parolos da Europa por Edgar Teles

Como descrever os espécimes do homo portucalensis:
Ser com vestes de citadino,
de mais puro-sangue provinciano
Trajado da prepotência de sua carteira vazia
Educado, na mais pura arrogância matarruana
Prepotente no andar de imponência altiva
Símbolo de poder, na sua mente, que só provoca azia
Bem trajado de corpo, vazio de valores
Mui nobre conquistadores
Reis da noite, reis da discoteca
Morcegos noctívagos, navegadores sem rumo
Que rumam a excelência de uma vida eclipsada
Pela noite levada, na noite vivida
De ufanas e insignificantes conquistas
As mulheres, pouco há a falar
De mui nobres valores e de mais alta estirpe
Que se envolvem pelo fato que aparentas ter
Ou pela tua face e físico desprovido de inteligência
Chateiam e aborrecem qual vírus da gripe
Confianças dão nobremente a quem isto aparenta
Não por valor ou por mérito que de verdade há
Mas a quem a maior futilidade apresenta
Os restantes não merecem por falta de estatuto
Logo nem deveriam ser
Pois não preenchem a essência do ter
Trajados de carros e de roupa das modas
Burguesas socas usadas no Amazonas
A carteira cheia de teias
Pela vaidade tecida
No verão a praia de miragem cheias
Da aparência vivida
Como símbolo de aceitação
Alta cultura numa canção
Pelas bandas do momento que passam na televisão
Sofistas!!!!
Sim senhor Platão quem é?
Jogador de Futebol?
Ahhhhhhhhhh Portugal
Beleza virtual
Por pinturas maquilhagens e aparência
Desprovida de alma e essência
Eis Portugal, os parolos da Europa

Vigésimo Número do Subversivo

Filhos diferentes de um mesmo Deus por Ana Santos

Os muçulmanos são cada vez mais associados ao terrorismo nos dias que correm. A Europa, que tem uma longa tradição judaico-cristã, depara-se hoje com uma pluralidade vasta de religiões, credos, sub-culturas, radicalismos, minorias étnicas e minorias religiosas. Os problemas acrescem com a ignorância em torno do outro. Grupos fecham-se em comunidades muito particulares, concomitantemente grupos de intelectuais do ocidente abandonam o catolicismo, que passou de geração em geração, para aderir a novas religiões como a hindu e a budista.
À parte das convicções, Portugal padece de um Estado laico. Para o português comum não existem grandes diferenças dentro dos muçulmanos. A comunidade muçulmana vive uma vida bastante parecida com a do típico português, sendo difícil identificar muitas vezes crentes muçulmanos inseridos num grupo de inúmeras pessoas. Se em França a religião muçulmana é a segunda religião que reúne maior número de crentes, tendo já havido necessidade de adoptar legislações próprias para controlar certos hábitos e certas práticas relacionadas com a fé, Portugal não se pode queixar do mesmo.
A comunidade muçulmana está disseminada por todo o mundo. Muitas vezes esta religião é erradamente associada apenas aos países árabes quando na verdade existem países asiáticos descendentes dos persas como o Irão com múltiplos crentes, o que mostra portanto que esta comunidade é bastante plural. A comunidade francesa muçulmana está intimamente ligada com as suas antigas colónias e os imigrantes oriundos destas. Em Portugal o caso é semelhante havendo contudo uma diferença ao mesmo tempo: ambos os países receberam imigrantes muçulmanos mas França crentes maioritariamente do Norte de África enquanto os muçulmanos portugueses estão ligados sobretudo a Goa, Damão, Diu e a pequenas localidades perto destas. Falar de muçulmanos em Portugal obriga-nos a falar da comunidade de descendentes indianos, mais uma vez o desconhecimento do português é grande. Para o português comum a comunidade indiana é de certa forma homogénea mas e se se afirmar que em Portugal, a menor probabilidade de haver um casamento entre outras religiões seria entre um indiano hindu e um indiano sunita? O mesmo acontece se se falar dos sikhs, dos ismaelitas e dos budistas. Não existe mistura possível. Os descendentes de indianos admitem porém com leveza que não haveria problema já se se tratasse de um casamento entre um crente de uma destas religiões e um católico.
Apesar desta divergência e desta ignorância em torno do outro ainda não houve nenhuma tensão assinalável em Portugal, ao contrário da vizinha Espanha ou da aliada Inglaterra relativamente à comunidade muçulmana. Os jovens muçulmanos não sentem qualquer tipo de racismo em seu redor. Não se consideram uma minoria étnica mas antes uma minoria religiosa. Dizem-se possuidores de uma identidade portuguesa.
A par de uma secularização acelerada da Europa surgem, porém, novas manifestações de espiritualidade no continente europeu ao ponto de o islamismo ser hoje a segunda religião em França. Enquanto o hinduísmo e o budismo conquistam notoriamente terreno junto dos meios intelectuais do ocidente, temos assistido a um revivalismo religioso de certa forma dada a curiosidade e a cobertura mediática feita em torno deste pluralismo, fenómeno que se oporia à expulsão de Deus de uma ordem gnóstica pós-moderna que se vê marcada pela pretensão de fazer da razão o motor universal da existência.
Atravessado por ondas sucessivas e heterogéneas de vagas de novos fluxos populacionais a Europa vê-se a braços com uma extraordinária diversidade de credos. Os imigrantes confrontados com as adversidades de uma vida longe da sua pátria de origem e com a dureza de uma integração económica, nem sempre tão fácil como se afigurava, à primeira vista, leva a que o papel das igrejas e das comunidades que em torno delas se reúnem, seja de primordial importância. Torna-se numa imigração a outro nível, uma imigração espiritual.
Uma Europa que outrora cruzou os oceanos e mares à descoberta do novo mundo, espalhando as maravilhas do ocidente pelos quatro cantos, viu Portugal como um dos países de cruzadas, colonizador, propagando o cristianismo com a missão de converter os hereges ao catolicismo.
A imigração que se está a viver na Europa é um fluxo com características diferentes de outrora. Em Portugal existe uma comunidade muçulmana, que nada tem a ver com os muçulmanos que viveram em Portugal durante a Idade Média. Os imigrantes são na sua maioria naturais das antigas colónias portuguesas de Moçambique e Guiné-Bissau, que se fixaram em Portugal após a independência desses territórios e de pequenas partes da Índia.
A religião muçulmana em Portugal dos dias de hoje, está intimamente associada à comunidade de origem indiana das antigas colónias portuguesas. A imigração indiana para Portugal pode ser descrito essencialmente em dois períodos. O primeiro teve origem durante a ocupação portuguesa em Goa, Damão e Diu, terminada com a invasão militar de 1961 daquelas colónias. O seu imã - líder religioso que os muçulmanos xiitas acreditam deve ser um descendente de Ali e de sua esposa Fátima - Aga Khan, que está no topo da hierarquia especifica desta facção religiosa, “disse aos ismailis que foram para Moçambique para se adaptarem à sociedade portuguesa. Antes de serem indianos, vocês são portugueses. Por isso os meus pais sempre me fizeram ver que nós não éramos uma minoria étnica. Somos portugueses, mas temos uma religião diferente”, revela Adil de 21 anos, descendente de avós indianos e de pais oriundos de Moçambique. Durante o período de ocupação portuguesa das colónias muitos alunos vieram estudar para universidades portuguesas e muitos outros vieram trabalhar com um leque de qualificações, ao contrário do que acontece com outros surtos de imigração de outros povos esta primeira vaga era portanto qualificada e instruída. O deputado Narana Coissoró recorda que “Portugal proporcionou transporte a todos os goeses que quisessem vir, segundo o jornal Público. A presença de originários da Índia em solo luso é claramente visível a partir de 1974. Os goeses e os gujaratis (ver mapa), que constituem a grande fatia das “pessoas originárias da Índia a viver no país, estão bem integradas neste, representando uma taxa de delinquência infantil e de insucesso escolar muito pouco significativa”, segundo Susana Pereira Bastos membro do Observatório de imigração em Portugal.
Apesar de não haver ainda um distanciamento suficiente nota-se uma vaga de imigração nos anos 90, oriundos da província indiana de Punjabis, que se fixaram essencialmente na região de Lisboa e do Algarve para trabalhar na construção civil e no comércio, sendo o negócio do mobiliário o mais ilustrativo. Contudo, esta comunidade diversificada que se afirma como portuguesa sente, segundo um estudo feito pelo Supergoa - uma das suas instituições de apoio à comunidade indiana - que o sentimento que prevalece entre os goeses em relação a Portugal é de ódio (39%) e de indiferença ou ignorância (34%), sendo apenas 27% os que afirmam sentirem amizade e admiração. As causas relacionadas com esta resposta tão negativa e ambígua estão relacionadas com o facto de sentirem que Portugal não lhes presta apoio suficiente na preservação do seu património e da sua identidade goesa. Sentem igualmente que foram esquecidos e que a sua contribuição para o grande Império durante séculos e mesmo durante o período ditatorial não existe. Esta população sente necessidade de criar outras formas de afirmação da sua cidadania e projectar a identidade, agarrando-se para já à religião. Porém, existe um factor muito curioso. Índia é um país de maioria hindu e budista, em Portugal são no entanto uma minoria comparado às raízes muçulmanas, tendo os hindus originários da Índia preterido Portugal pela Inglaterra. Outrora porta para o Oriente e um grande ponto estratégico para Portugal, nos dias de hoje os goeses reclamam o seu passado desejando verem-no valorizado.
Existem 70 mil indianos em Portugal, segundo um relatório do Alto Comissariado da Diáspora Indiana. O que é realmente importante reter é que “apesar de terem adaptado a língua e a nacionalidade portuguesa, estes grupo mantêm a sua distinta identidade sócio-religiosa”, segundo Narana Coissoró. A maior comunidade religiosa dentro dos descendentes das colónias é realmente ismaelita, um ramo que parte dos xiitas, havendo uma pequena porção ainda sunita, sendo considerados mais conservadores pelos ismaelitas. Fortemente ancorados na religião, os muçulmanos souberam desenvolver importantes estratégias de articulação entre os diferentes núcleos. A teia de relações familiares e a manutenção dos fluxos migratórios constituem os suportes informais da rede transnacional reforçando-se com a institucionalização das estruturas de relações inter-comunitarias. No caso dos ismaelitas, houve um maior reforço não se ficando apenas pelo nível religioso, construindo uma nação ismaelita, outrora dispersa por vários países num protocolo sem território e sem ambições territoriais. Enquanto que a maioria dos goeses são pautados por uma invisibilidade social e geográfica, dada a sua discrição, os ismaelitas – indianos também - deixam marcas mais visíveis no espaço urbano, concentrando-se em certos sítios e criando relações sólidas no mundo dos negócios. À parte dos ismaelitas os restantes originários da Índia sentem um vínculo muito acentuado com as suas origens. Acabaram por tomar caminhos diferentes. Os ismaelitas tornaram-se no que eles apelidam de muçulmanos modernos, seguindo Aga Khan e todos os seus passos e conselhos. Aga Khan é como que o Papa para os cristãos. Contudo, os sunitas não o aceitam, criticando severamente os caminhos que os ismaelitas têm seguido, considerando os outros muito mais materialistas que dão mais valor, no entender sunita, aos bens e ao convívio dentro dos seus pares à religião em si.
O seu imã, Aga Khan, criou uma fundação, com um cariz filantropo aproveitando o seu próprio nome. A sua missão não tem como ideal ajudar só os muçulmanos mas contém um plano que abrange todos os povos do mundo, dando uma atenção especial na sua missão aos países do 3º mundo lutando pela independência destes relativamente ao ocidente. Interpretando as directivas do Alcorão este líder religioso, também com ambições erradicar a pobreza, levar o ensino a bom porto, ajudar no campo da saúde, na problemática financeira aproveita supostamente um décimo da riqueza de cada ismaelita, que é previsto no Alcorão. Este líder de massas já foi apelidado pelos media como o capitalista de risco do 3º mundo dada as aventuras que tem feito em prol da sua missão.
A história retrata os descobrimentos como um período glorioso para os vários países, Portugal não é excepção. Grandes escritores imortalizados na literatura portuguesa como Luís Vaz de Camões e Fernando Pessoa, enalteceram esse período áureo da história. Todavia, o grande império de outros tempos com Vasco da Gama como bom feitor, num ideal de espalhar os bons costumes e a verdadeira religião, de nada serviu. O império ruiu, a religião não foi adoptada e, é neste século XXI a religião que cresce com maior ritmo. Os muçulmanos divididos sobretudo em sunitas e ismaelitas tomaram, em território luso, caminhos diferentes sem nunca descorar da sua religião. Sunitas continuam seguindo os cinco pilares, praticando o Ramadão, a profissão de fé, bem como o não fumar, não beber, criticando incessantemente os ismaelitas por romperem com estes mandamentos mesmo em frente do centro Ismaelita em Lisboa.
Apesar do esforço da bi-culturalidade promovido pelas gerações parentais foi justamente aquando da frequência da escola portuguesa que os jovens sunitas ismaelitas experenciaram o sentimento de serem diferentes e também as primeiras e geralmente únicas memorias de discriminação. A cor da pele e certas prescrições alimentares (relacionadas com a proibição de comer carne de porco), constituem os principais marcadores de tais vivências.
Os pais investem numa inserção bem sucedida dos descendentes, a maioria dos pais dos nossos interlocutores propiciou-lhes o ensino oficial, em português, em estabelecimentos não-muçulmanos estatais ou privados. Favorecer a integração das crianças implicou no entanto, um controlo restrito dos seus quotidianos escolares e extra-escolares, bem como uma pressão crescente sobre os seus filhos para que criassem laços com pares da mesma rede familiar e comunitária. A iniciação à religião vivida, bem como a transmissão de determinados valores e tradições culturais inclusive a das línguas maternas Gujarati ou Kutchi era da responsabilidade da família extensa, sobretudo das mães, das tias e das avós. Em simultâneo, e desde tenra idade, são encorajados a frequentar aulas suplementares de religião islâmica ou de língua materna, bem como a participar nos encontros e programas para jovens, organizados pelas respectivas comunidades. Todavia, é de bem pequeno que o muçulmano entra nos rituais específicos da comunidade sendo circuncizado e recebendo uma quantia módica em dinheiro pelo acto que acabou de ser realizado. Esta pequena cirurgia é recebida com uma enorme alegria por parte do seio familiar e amigo uma vez que é celebrado com grande pompa e circunstância, onde são recordadas outras histórias e alegrias.
O muçulmano português é maioritariamente indiano. Sai para os mesmos locais que os outros jovens. Os pais apelam a que eles não saião muito do seio da comunidade. Os jovens não comem carne de porco por respeito, vão à missa por respeito. Os traços originais vão sendo seguidos mais a preceito por uns, menos por outros. A verdade é que Portugal não tem com que se queixar desta religião. Afinal, partilham todo o mesmo Deus, uma vez que Maomé diz que vem em nome de Deus rectificar o que os judeus e cristãos estão a fazer mal segundo os mandamentos de Deus.

Décimo Nono Número do Subversivo

E o vencedor é… Abstenção! por Alexandre Aranda

Pois é, faz hoje dois dias que foi o referendo ao aborto, e embora todos os partidos políticos digam que o vencedor foi o sim à despenalização do aborto eu diria mais que foi a abstenção, a grande vencedora…
Depois de, em 1998, o referendo de então não se ter tornado vinculativo devido a uma altíssima taxa de abstenção (cerca de 68%) e de o sobre a regionalização também não se ter tornado vinculativo pelo mesmo motivo, parece que este também vai pelo mesmo caminho…
É caso para perguntar se é preciso mudar a lei dos referendos, para permitir que uma afluência às urnas de menos de 50%, pode tornar um referendo vinculativo.
Por exemplo, na Suiça fazem-se cerca de 4 referendos por ano… porque será que em Portugal isso não é possível?
Eu tenho várias hipóteses: o referendo está tão politizado que é impossível aos portugueses abstraírem-se que não é uma questão politica, uma vez que estão demasiado cheios de politica, ou então simplesmente os portugueses estão alheados do que realmente interessa à população…

Décimo Oitavo Número do Subversivo

O sonho, por Ana Santos

“Sonho: nome masculino. 1. Actividade psíquica involuntária que se manifesta, durante o sono, numa sequência de imagens e de ideias produzidas pela mente. […] a) O que é agradável e deixa o sonhador feliz. b)Desejo pouco realista, FANTASIA, ILUSÃO. […]
2.Coisa imaginada mas sem existência real, que carece de realidade, de fundamento ou não tem probabilidade de vir a acontecer, FANTASIA, ILUSÃO, UTOPIA. […]
3. Forte aspiração, desejo intenso. […] A máxima aspiração.
4. O que é muito bom e muito belo. […]” Dicionário Verbo, Língua Portuguesa)

O sonho é algo universal, partilhado por todos os seres humanos e pelos animais. Eu, própria, sonho imenso, quer durante o meu leve sono quer quando estou acordada. Todos nós temos o nosso “micro-mundo” mas, o meu transborda de sonhos e devaneios.
Um dia fiz essa observação ao meu médico (à cerca da minha grande actividade nocturna), ao qual ele retorquiu com uma pergunta: “Entre mim e si quem julga que sonha mais?” Eu, um pouco confusa com tal pergunta, respondi-lhe que não fazia a mais pequena ideia. Ele desafiou-me a arriscar uma resposta, eu sem saber o que responder disse-lhe: “ok. Posso ser eu… talvez…”, reticente sobre que rumo aquela conversa iria tomar. Finalmente, o médico esclareceu-me que todos sonhamos na mesma quantidade, o que acontecia é que uns se lembravam melhor do que outros.
A prova de que todos sonhamos, quer acordados, quer a dormir, são as resmas de páginas escritas, músicas compostas bem como dissertações sobre o conceito de sonho ou sobre os seus próprios sonhos. Quem não se lembra do poema da Pedra Filosofal de António Gedeão “Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer […]. Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida e que sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança, como bola colorida entre as mãos de uma criança”. O sonho é uma filosofia de vida arrojada. Há quem tenha medo de sonhar, ou de partilhar, por timidez, o seu sonho. O que mais gostei quando entrei na ESCS foi ter inúmeros professores a perguntarem-me: “Qual é o seu sonho?”. Vivemos numa sociedade desencantada e com medo de sonhar.
O sonho foi aquilo que sempre comandou a vida desde os primórdios da História. Os homens primitivos sonhavam como seria não ter frio. Então caçaram e encontraram a forma de fazer fogo para se aquecerem. O sonho da justiça e de uma sociedade organizada levou os romanos e os gregos a criarem a democracia e a palavra cidadão. Havia o sonho de criar um corpo perfeito e, no renascimento, Miguel Ângelo, Rafael, Da Vinci, entre outros, criaram as mais bonitas formas de arte. Tudo porque sonharam e lutaram para realizarem os sonhos. Havia o sonho do povo português descobrir o que havia para lá do cabo das tormentas assim como se o mundo era quadrado. Perseguindo o seu sonho descobriram que afinal o mundo era dividido por continentes, redondo e cheio de diferenças.
A História está repleta de epidemias e grandes catástrofes e ao mesmo tempo de homens que foram capazes de transformar os seus sonhos em curas e fórmulas de evitar catástrofes. Ao longo dos séculos houve guerras e grandes lutas que foram lideradas por homens que tinham um sonho. Apesar de Martin Luther King já ter morrido, muitas pessoas não se esquecem deste grande defensor da igualdade de direitos que ficou imortalizado pela frase” I HAVE A DREAM” (eu tenho um sonho) [referia-se ao final da discriminação racista por parte dos americanos].
Porque damos tanto mérito a escritores como Gil Vicente e Eça de Queirós? Porque eram pessoas que, através do seu dom, o da escrita, tinham um sonho: melhorar a nossa sociedade e vê-la evoluir (não obstante da sua qualidade enquanto escritores).
Desde sempre me fascinaram grandes figuras nos mais variados ramos, inspiram as novas gerações e mostram-lhes que se sonharem e ambicionarem algo possivelmente conseguiram obter os seus objectivos, por muito utópicos que sejam como é o caso da música de John Lennon Imagine.
O sonho pode ser a inspiração para uma vida feita de sorrisos, suor e lágrimas mas igualmente de recompensas. Algo penoso que nem todos se atrevem a seguir.

Décimo Sétimo Número do Subversivo

Sim à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, por Alexandre Aranda

É certo e sabido, mesmo pelos mais leigos, que uma célula, por mais pequena que seja, é sempre um ser vivo. Não é preciso virem para aí esses médicos e religiosos, conservadores, defenderem essa tese.
E, acredito eu, não é de ânimo leve que se faz uma interrupção de uma gravidez. Não é de ânimo leve, acredito eu, talvez querendo ser um bocado positivista e demagogo, até, que uma mãe interrompe a gestação de um ser.
Embora muitos defensores do SIM, tal como ouvi num debate, acreditem que um embrião não é um ser humano mas sim uma “coisa humana”, eu não penso assim. Julgo que esta expressão foi bastante infeliz.
Na minha opinião, aliás, está-se a fazer uma tempestade num copo de água, uma vez que o aborto já se encontra liberalizado.
O que se pede agora para votar é se acha que é necessário as mulheres continuarem a ser achincalhadas, na praça pública, por um pertenço crime, que acredito eu e reafirmo, não acredito que façam de ânimo leve mas sim porque foram vitimas de violação ou o feto tem malformações ou simplesmente porque ainda não estão preparadas para assumir esse cargo, o de serem mães.

Décimo Sexto Número do Subversivo

Os intocáveis, crónica dos mitos académicos, por Ana santos

Cursos míticos: Direito, Engenharia e Medicina serão os pilares que sustentam a sociedade?

“O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo.”
Fernando Pessoa

Cátia Nunes chega a Sete rios de mão dada com o namorado, ambos com um sorriso rasgado. Olham para os monitores à procura do próximo transporte a apanhar para chegar à cidade universitária. Enganam-se várias vezes. Cátia começa a ficar nervosa. Parece que afinal o mais difícil não era entrar em direito mas antes saber como chegar à Faculdade. De repente apercebe-se do comboio que tem de apanhar. Volta a sorrir como se lhe tivesse saído a sorte grande.
Cátia Nunes tem 19 anos, conseguiu entrar no ano passado na Faculdade de Direito de Lisboa, estando neste momento no 2º ano do curso. Sempre tirou boas notas. Considera-se lutadora. Quando olhou para a fachada do edifício ficou deslumbrada. Contudo, bastou entrar dentro do edifício para deixar de se sentir especial. Apercebeu-se num instante que era apenas uma aluna em 550.
O gosto pela ciência e pelos computadores fizeram Manuel Barrento optar pelo curso de engenharia. Acabou a licenciatura no ano lectivo passado. Tem 25 anos e um dia-a-dia muito preenchido. Para Manuel engenharia é sinónimo de inovação. Admite ter sido muito duro concluir o curso, afirmando que fez os possíveis e os impossíveis para acabar com sucesso.
Antes de entrar na Faculdade de Ciências e Tecnologias achava o curso engraçado e acessível. A primeira impressão que teve ao chegar à Faculdade foi marcante: teve a sensação “de estar num mundo à parte. Quando cheguei a casa depois do primeiro dia de aulas pensei: Isto é para malucos, vou desistir!”. Mas não desistiu.
Vanda Estríbio empenha-se em tudo o que se envolve. Habituou-se a ser a melhor aluna. Habituou-se a ser uma nadadora de referência, durante um período de tempo, a nível nacional. Desde cedo teve de aprender a lidar com variadas pressões e expectativas. A família de Vanda não tem muitas posses económicas. Convinha que Vanda escolhesse um curso seguro.
Sentindo-se atraída pela área da saúde, Vanda conseguiu a média necessária para entrar na Faculdade de Medicina em Lisboa. A realidade era diferente daquilo a que estava habituada. “Foi um recomeçar: conhecer pessoas novas, fazer novas amizades, habituarmo-nos a apresentações orais, trabalhos, exames escritos e orais”. Em medicina os alunos são recebidos como um grupo de elite. É-lhes incutida a ideia de que eles são os melhores dos melhores. As regras do jogo mudam: a famosa frase “errar é humano” é substituída por “errar é um crime”. Actualmente, Vanda tem 21 anos e frequenta o 4º ano.
O que é um mito? Numa pequena definição, mito é algo que adquire uma carga simbólica para uma dada cultura. É uma narrativa fantástica que pretende explicar a origem e a causa das coisas. Será que Medicina, Direito e Engenharia são cursos míticos? Cátia, Manuel e Vanda acham que sim.
Em termos históricos estes foram os primeiros cursos a abrirem nas Universidades. Contudo filosofia e os cursos de professores não têm o mesmo estatuto. Embora haja uma maior oferta de cursos estes três cursos mantêm-se intactos.
Cátia ficou confusa e triste nos primeiros tempos. Pensou muito. Aos poucos foi vendo colegas a desistirem. Chegou a pensar seriamente em desistir e voltar a candidatar-se noutro curso. As primeiras notas que recebeu foram negativas e positivas baixas. Ela desconhecia tal sentimento.
Tinha escolhido Direito pelo ideal de poder defender uma causa, o poder expressar opinião e a possibilidade de ajudar na resolução de problemas da sociedade. Apesar de não ser o caso da Cátia, Direito é um curso frequentemente usado para ascender a determinado tipo de cargos como cargos políticos.
Cátia conseguiu acabar o primeiro ano. Agora que olha para trás confessa “Pensei que fosse diferente [Direito], mas não estou desiludida.” Deparou-se com um curso com uma maior componente teórica do que esperava. Pensa que quem entra no curso pelo mito rapidamente se vai embora pois “é-nos exigido um grande esforço, é um curso muito trabalhoso, é preciso ler muito, estudarmos sozinhos. É fundamentalmente um curso de investigação.” Têm de consultar paralelamente outros livros para terem uma noção global. A competição vai aumentando gradualmente. Rodeados de pessoas individualistas Cátia afirma, sem grande convicção, “até agora ainda não senti reflexos significativos de uma competição extrema”. Direito é um curso que parece estar parado no tempo. Ainda existem histórias sobre os Professores Catedráticos. Ouvem-se histórias de que uns são preteridos em vez de outros, já tendo perdido amigos e sofrido desilusões mas não se querem expor, é perigoso. Neste tipo de matéria, Cátia só comenta que alguns professores os desmoralizam e que outros os ignoram apenas debitando matéria.
Garante no final da conversa que a Sociedade precisa e sempre precisará de Direito uma vez que Direito consiste no estudo das regras e princípios que disciplinam as relações humanas e que fazem a sociedade funcionar. Apesar da sociedade não dar o devido valor aos advogados e juízes, no seu ponto de vista.
Perguntei ao Manuel qual tinha sido a coisa mais impossível que ele tinha conseguido tornar possível, ao qual ele me respondeu: tirar engenharia. Surpreendeu-se com a evolução que teve ao longo dos anos pois o seu primeiro choque foi exactamente o grau de dificuldade dos exames. Agora que está inserido no mercado de trabalho ambiciona trabalhar na área das energias renováveis.
Engenharia é a actividade em que os conhecimentos científicos e técnicos e a experiência prática são aplicados para exploração dos recursos naturais, para o projecto, construção e operação de objectos úteis. Os alunos de engenharia sentem que a sociedade tem uma boa opinião a seu respeito. Segundo Manuel “a sociedade tem consciência que a engenharia é o futuro para resolver grande parte dos problemas da humanidade (…) é muito importante aplicar as tecnologias ao serviço da medicina e do ambiente.” O projecto de final de curso de Manuel foi acerca das energias renováveis. Pois, para ele, um dos objectivos da engenharia “é ajudar a sociedade a ter uma vida mais saudável”. Os melhores alunos da sua turma acreditavam estar a tirar “um curso bastante completo e atractivo para o mercado de trabalho”, segundo este. Contudo, admite que nem tudo é positivo: reconhece que engenharia é uma profissão com grande desgaste psicológico e a sua maior desilusão foi “fazer um projecto final de curso bastante interessante para ficar na gaveta”. Não sente ter um estatuto diferenciado mas “quando ganhar um prémio Nobel, acredito que tenha outro estatuto”, refere com humor.
Por fim desmistifica engenharia como algo “forte em matemática, adorável em electrónica, complicado em programação e óptimo em conhecimento”.
Em medicina, Vanda crê que o mito surge com a ideia de uma elite, de “que somos todos super inteligentes e de que no futuro vamos trabalhar pouco e ganhar muito”. Super inteligentes ou não o facto é que ela não conhece alguém que tenha desistido do curso. Devido à carga horária sente necessidade de fazer pausas de vez em quando “para não enlouquecer com tanta coisa”. Aprendeu a adoptar uma posição de adaptação. A competitividade é fomentada pelos professores apesar dos alunos também a alimentarem “temos de saber tudo e quando não sabemos é uma vergonha, logo há que ser o melhor. Para além do que dado o nosso percurso académico já estamos habituados a notas elevadas e a abdicar desse pedestal é difícil”. Pensava que o curso era diferente. Ela e uma amiga admitem ter abdicado da sua vida pessoal em detrimento do curso. No primeiro contacto com o mercado de trabalho apercebeu-se da realidade: “muitas horas sem dormir, uma vida agitada, com pouco tempo para aplicar os conselhos que damos aos outros”. Ela e os colegas brincam dizendo que gostavam de ter o horário das senhoras da repartição “das 10 às 15 horas com hora de almoço. Desiludiu-se com a arrogância dos alunos e dos professores. Conta que existem professores muito queridos mas também outros que a seu ver “não têm a mínima consideração por nós, nos ridicularizam, nos humilham e desrespeitam”. Fez alguns amigos, o que considera fundamental. Vê a medicina como algo que permite “fazer o bem ao próximo.” A seu ver se a medicina não existisse “acabaria por ser inventada. O homem é um ser muito curioso”, o avanço noutras áreas levariam ao avanço desta.
Todos entraram com expectativas e sonhos diferentes do que o que encontraram. Olham em redor e não se arrependem contudo. Gostavam que a sociedade lhes desse mais valor. Afirmam com segurança que a sociedade precisa deles. Haverá justiça para ser reposta, haverá sempre gente doente e problemas por solucionar.

Décimo Quinto Número do Subversivo


Dissertando… por Maria Lúcia Gonçalves

Pensei em contar-vos uma historia sórdida e deprimente sobre mendigos, mas o tema é por si só tão tenebroso e asfixiante, que após reflectir sobre o assunto, recuei. Vou sim dar azo ao repúdio e ao vómito que poderá suscitar a complexa imagética da figura de um ser mendicante, totalmente alheio ao que o rodeia, visualizando dia após dia o seu fim próximo. E vou falar-vos de algo mais prático: o nojo.
Descrever a pobreza na sua ínfima degradação é a opção continuada dos media, a todo o momento somos aturdidos por vozes cansadas e gastas na praça publica que reafirmam a necessidade de se excluir das sociedades modernas este flagelo, é facto, parece mal, é feio à vista! Pois é. Mais repugnante ainda é a venda de produtos sob o formato de reportagem que se faz desta mesma conjuntura. E nós, seres ingénuos e estupidificados lamentamos como é triste ver criancinhas e velhinhos cabisbaixos e deixados à sua sorte. Tristonhos lá vamos nós acreditando num Portugal futurista cujo fim da pobreza ansiamos que esteja para breve...
Sim, vamos acabar com a pobreza, idílica e musicalmente ouvem-se coros de gentinha que faz o apelo, é romântico, mas subversivo. O que não é facto e dificilmente admissível é a demagogia que paira sobre cada uma destas vozes. Olhos brilhantes e bocas melódicas falam carinhosamente de humanos que por razoes que a sociedade (des)conhece vivem à margem ou dentro de uma cidade qualquer. Repito, o que não é facto é a aversão que cada uma destas vozes sonantes não reclama a si, uma aversão enojada e doentia que se reflecte no quotidiano desta cidade das sete colinas e das centenas de becos. Em cada recanto desta Lisboa habitam seres pensantes, homens e mulheres sem horizonte e que exponencialmente acreditam que cada dia que o sol faz nascer será um dia melhor. Contudo, ao virar de cada esquina, cruzam-se olhares fastidiosos e deveras entediados por se confrontarem com a cena de ontem e que sabem ser a de amanha. Os que ontem obtusamente choraram o que viram numa televisão ou num jornal qualquer, hoje, enojam-se e escorraçam quem deles se aproxima.

Tuesday, February 20, 2007

Décimo Quarto Número do Subversivo

Stop à chacina indiscriminada de animais! Eles são nossos amigos!, por Alexandre Aranda

Há dois ou três dias, vi um programa na TV que me chocou bastante, uma vez que tratava da perseguição feita pelo Humano a certos animais, como por exemplo a baleia, o tubarão e o golfinho. Infelizmente, não é só este tipo de animais que são mortos de uma forma indiscriminada e bárbara. Também o elefante, por causa dos seus dentes de marfim valiosíssimos, sofre desse mal horrendo!
Infelizmente, mais uma vez, e como se pode notar pelos exemplos atrás mencionados, a chacina de animais continua e há-se continuar, enquanto o Homem esse poderoso animal. por vezes mais irracional que outros animais, continuar a julgar-se o rei do mundo!

Décimo Terceiro Número do Subversivo

É só jogo..., por Alexandre Aranda

Pois é... O nosso "amigo" Alberto João , sim esse respeitador dos direitos de cidadania, demitiu-se do cargo de Presidente do governo regional da Madeira, por não aceitar o que os do governo da "república" pedem na Lei das Finanças Regionais, ou seja um "apertar do cinto"! Será que desta foi de vez ou vamos ter mais uma vez o dito senhor à frente de uma das regiões que mais problemas têm dado ao país? É que, não nos esqueçamos, já não é a primeira nem será, porventura, a última vez que Alberto João faz uma jogada destas para ganhar pontos (como se isso fosse necessário) ao eleitorado do dito arquipelago

Sunday, February 18, 2007

Décimo Segundo Número do Subversivo

Farpa, por Ana Santos
Apenas duas palavras: “Trash TV”. Sim, meu caro leitor, estou a falar obviamente de todos os programas matinais, e de início de tarde, que tornam a nossa sociedade num bando de débeis mentais. Já não basta o tico não ir ao ginásio para se exercitar, as grelhas de televisão querem matar o desgraçado do teco dos pobres espectadores que apenas dispõem de 4 canais de televisão. Relembro-te fiel leitor que o tico e o teco são os respeitados neurónios portugueses imortalizados pelo Herman.
Lamento ter de utilizar um conceito estrangeiro neste início de farpa, não que não aprecie a diversidade da nossa bonita língua mas, infelizmente, ainda ninguém teve a brilhante ideia de inventar um conceito à altura desta regurgitante grelha de programação.
Entro no café e quase tenho pena de ver aqueles desafortunados seres que desrespeitam de forma cabal a nossa língua materna. Os jovens com ou sem calão, com ou sem abreviaturas dão cada vez mais erros. Existe um descoro à nossa volta. Estranho é não entrarmos neste turbilhão de erros e desrespeitos ao prontuário que ferem por certo o nosso caro Camões e todos os nossos embaixadores da Língua Portuguesa pelo mundo fora.
Se o ministro da Defesa tivesse real amor à pátria, implementaria, antes das aulas, um ritual, que deveria ser muito bem ensaiado, aviso já, e pensado. Os professores e alunos jurariam – com a mão direita junto ao coração, numa posição hirta e noutra mão o dicionário, claro:
- que não iriam ofender nem desrespeitar a nossa língua materna;
- que iriam esforçar-se por lutar veemente contra esse monstro da mediocridade divulgado pela televisão e por esses vegetais que por aí andam que conspurcam a imagem do ser português e do seu bom-nome.
Pois vê com os teus bons olhos se eu não tenho razão!
Se começarmos pelo primeiro canal vemos um esforço hercúleo para agradar à terceira idade. Todos os dias desencantam uma avó com uma história mais rebuscada e inverosímil que a outra. Em média a pobre coitada tem de ter parido no mínimo sete filhos durante a sua vida e, mesmo assim, possivelmente o produtor acha que sete serão poucos para atingir determinadas audiências. Por sua vez, estes sete filhos tiveram, no mínimo, de copular umas cinco vezes de forma eficaz – cada um deles – para fazer com que a querida mamã apareça na televisão:
Pergunta o leitor qual o motivo? Então, a desforra, claro! Fazer inveja à vizinha do terceiro esquerdo que infelizmente lhe ganhou na semana passada no programa da tarde, que foi a telespectadora 20,330 a telefonar para a TVI, e que adivinhou (com todo o mérito) a palavra Natal. Adivinhou pois então que Natal, era a palavra referente à época que, segundo a apresentadora: “Estávamos todos a comemorar e que apenas tínhamos de pensar numa vogal para acrescentar”. Bem, a vizinha tinha o seu mérito, não é qualquer um que olha para a palavra ali meio despida e adivinha – em tão escassos 45 minutos e entre as vastas cinco vogais – a fórmula desejada: “Deixa cá ver: natil, não... espera, natol, ai soa-me mal. Talvez natal, é isso! Natal!”. Como a linda apresentadora disse de forma tão simpática: “é uma época onde recebemos presentes vindos do Pai Natal”, descobriu a vizinha de forma bastante perspicaz, diga-se de passagem.
Na minha humilde opinião não existe forma mais complicada de se ganhar 1500 euros. É muito esforço mental. Tenho dito.
Voltando ao primeiro canal, durante a manhã a velhinha tem de contar que no seu tempo não havia muito que fazer então ela e o Manel foram fazendo amor e olha no resultado que deu. Isto vindo de um canal público dá que pensar. De certo que é uma política encoberta para incitar o aumento da taxa de natalidade, só pode. É daí que vem a ideia do simplex, malandro do Sócrates, lá que é simples é. Ora vejamos: uma idosa, várias fotos, uma longa vida de trabalho para dar o precioso contributo e um apresentador jeitoso que abrace de forma carinhosa as senhoras e lhes dê a mãozinha.
No canal seguinte está possivelmente a salvação daqueles que rejeitam tanto estímulo mental. Um jovem que corre com um cão azul à procura de algo com um cenário rosa por trás. O rapazinho não só fala com o cão como fala com alguém – que ainda ninguém percebeu muito bem quem é. Declaradamente um programa para crianças, mas, mais uma vez, demasiado exercício mental.
O canal diz que não entende as baixas taxas de audiências mas acho que está bem visível meu caro leitor: demasiada energia despendida mentalmente. Tenho dito.
E que tal pensarem no que entendem por crianças e depois qual o futuro que desejam para o nosso país? Sim, porque com este programa garanto que nos depararemos com dois grandes problemas: jovens que falem para as coisas erradas e um grave problema semiológico. Depois os que eventualmente vierem parar à ESCS queixar-se-ão dos testes surpresa e da facílima teoria de Peirce, sem qualquer tipo de razão, é claro. Isto já para não falar nas facadas dadas na nossa preciosa língua materna pois erroneamente crianças terão na cabeça que existem cães azuis mas que o pai e a mãe não gostam deles porque não lhes deram o dito cão azul. Por certo lhes mentiram ao dizer que tal coisa não existia quando eles viam (muito bem!) que o cão era azul, apesar de se chamar blue. Oh que confusão!
O meu caro leitor deve estar a pensar: está bem, mas ainda faltam dois, que tendes a apontar sobre os outros dois?
Ao qual eu te confesso que até me dá um forte ataque de urticária só de pensar nos dois restantes canaizinhos privados. Grr. Vou tentar que a minha urticária se transforme numa farpa que, por sua vez, provoque alguns danos naquela epiderme pesada e temerosa. Abaixo a tolice disse eu. Pois disse, mas a tolice é tanta, que nem sei por onde começar a enumerar.
Ambos os programas têm uma parte humorística em que aparece sempre um triste e brejeiro que fala invariavelmente mal português, umas vezes intencional, outras vezes não. Bem, depois temos de reflectir sobre o que se entende por comédia. Trocadilhos fáceis são geralmente as suas principais escolhas, onde a ordinarice é rei e impera. O público ri-se. O técnico faz sinal ao público para se rir. O público ri-se. Vá, agora um grande plano do senhor desdentado a rir-se!
Pergunta que valores passam para o espectador, leitor?
Que ser-se desdentado é bom!
De manhã, em vez de irmos ao dentista arranjar os dentinhos podres que nos dão aquele mau hálito desconfortável mas que permite ir à vontade na camioneta com uma clareira à volta, vamos aos programas de televisão.
Aí ouviremos tragédias, nunca antes narradas, que chamam declaradamente uma lagrimazinha ao cantinho do olho e nos fazem pensar “Que mundinho cruel o meu”.
De seguida ouvem-se mais quatro pessoas frustradas da vida que rogam pragas uns aos outros e competem sobre quem insulta e descredibiliza mais rapidamente, e de forma mais absurda, uma figura qualquer supostamente mediática onde vale tudo! Mesmo tudo. Desde filmes pornográficos onde se discute se a Elsa Raposo de facto pode ou não fazê-los com o actual namorado a criticas sobre o vestido de noiva da sobrinha afastada de um mafioso qualquer do futebol que ligeiramente abaixo da anca, vincava e ela parecia grávida, pelo que alguém maldosamente exclamava: “Ah! Em pleno século XXI casar-se de branco grávida”. Ao que alguém velozmente, passados dois perpétuos dias, desmentia a afirmar que ela é simplesmente gorda. Leia-se: com cinco gramas a mais acumuladas ali naquele sítio específico que apenas se vê com um zoom de 150% a gordurinha. Mas única e exclusivamente de perfil – atenção que é muito importante este pormenor.
Sem esquecer as pérolas do bom português: “Hades ver se ela estava gorda ou não”; “Ai não, a ex-namorada do Pinto da Costa não era uma prostituta, ai! Mulher da vida, ai! Acompanhante.”; “Tivestes razão aí, mas quando eu desfolhei a Ana atrevida dizia que o Pinto tinha achado que a senhora era dama de companhia por isso não faltes ao desrespeito”.
Assim se fala bom português na nossa televisão sempre muito bem moderada por eloquentes oradores: “Tem cinco minutos para falarem as cinco sobre ele disse o Goucha, ele disse a elas, não ouviram?”
Meu caro leitor tendes razão quando pensas que o código oral é mais flexível, mas a tolice tem limites.
Que valores e que linguagem estamos nós a passar na nossa caixinha mágica?
Damos voz aos coitadinhos onde os portugueses são preteridos por estórias. A RP da discoteca mais concorrida que já namorou com metade do elenco da novela do horário nobre é mais importante que alguém que dê prestígio ao nosso terreno à beira mar plantado.
Morte à tolice! Que infâmia! Que injuria!
Espero que esta urticária tenha trespassado para eles e que tu, meu fiel leitor, me compreendas e me apoies. Como seremos olhados no futuro? Espero que os próximos humoristas nos atribuam mais neurónios numa próxima análise, mas, com esta televisão, mais facilmente serão azuis que em maior número.
Agradeçamos este legado aos chefes de programação por zelarem pela nossa (falta de)inteligência.

Décimo Primeiro Número do Subversivo

Farpa, por Ana Santos
Apenas duas palavras: “Trash TV”. Sim, meu caro leitor, estou a falar obviamente de todos os programas matinais, e de início de tarde, que tornam a nossa sociedade num bando de débeis mentais. Já não basta o tico não ir ao ginásio para se exercitar, as grelhas de televisão querem matar o desgraçado do teco dos pobres espectadores que apenas dispõem de 4 canais de televisão. Relembro-te fiel leitor que o tico e o teco são os respeitados neurónios portugueses imortalizados pelo Herman.
Lamento ter de utilizar um conceito estrangeiro neste início de farpa, não que não aprecie a diversidade da nossa bonita língua mas, infelizmente, ainda ninguém teve a brilhante ideia de inventar um conceito à altura desta regurgitante grelha de programação.
Entro no café e quase tenho pena de ver aqueles desafortunados seres que desrespeitam de forma cabal a nossa língua materna. Os jovens com ou sem calão, com ou sem abreviaturas dão cada vez mais erros. Existe um descoro à nossa volta. Estranho é não entrarmos neste turbilhão de erros e desrespeitos ao prontuário que ferem por certo o nosso caro Camões e todos os nossos embaixadores da Língua Portuguesa pelo mundo fora.
Se o ministro da Defesa tivesse real amor à pátria, implementaria, antes das aulas, um ritual, que deveria ser muito bem ensaiado, aviso já, e pensado. Os professores e alunos jurariam – com a mão direita junto ao coração, numa posição hirta e noutra mão o dicionário, claro:
- que não iriam ofender nem desrespeitar a nossa língua materna;
- que iriam esforçar-se por lutar veemente contra esse monstro da mediocridade divulgado pela televisão e por esses vegetais que por aí andam que conspurcam a imagem do ser português e do seu bom-nome.
Pois vê com os teus bons olhos se eu não tenho razão!
Se começarmos pelo primeiro canal vemos um esforço hercúleo para agradar à terceira idade. Todos os dias desencantam uma avó com uma história mais rebuscada e inverosímil que a outra. Em média a pobre coitada tem de ter parido no mínimo sete filhos durante a sua vida e, mesmo assim, possivelmente o produtor acha que sete serão poucos para atingir determinadas audiências. Por sua vez, estes sete filhos tiveram, no mínimo, de copular umas cinco vezes de forma eficaz – cada um deles – para fazer com que a querida mamã apareça na televisão:
Pergunta o leitor qual o motivo? Então, a desforra, claro! Fazer inveja à vizinha do terceiro esquerdo que infelizmente lhe ganhou na semana passada no programa da tarde, que foi a telespectadora 20,330 a telefonar para a TVI, e que adivinhou (com todo o mérito) a palavra Natal. Adivinhou pois então que Natal, era a palavra referente à época que, segundo a apresentadora: “Estávamos todos a comemorar e que apenas tínhamos de pensar numa vogal para acrescentar”. Bem, a vizinha tinha o seu mérito, não é qualquer um que olha para a palavra ali meio despida e adivinha – em tão escassos 45 minutos e entre as vastas cinco vogais – a fórmula desejada: “Deixa cá ver: natil, não... espera, natol, ai soa-me mal. Talvez natal, é isso! Natal!”. Como a linda apresentadora disse de forma tão simpática: “é uma época onde recebemos presentes vindos do Pai Natal”, descobriu a vizinha de forma bastante perspicaz, diga-se de passagem.
Na minha humilde opinião não existe forma mais complicada de se ganhar 1500 euros. É muito esforço mental. Tenho dito.
Voltando ao primeiro canal, durante a manhã a velhinha tem de contar que no seu tempo não havia muito que fazer então ela e o Manel foram fazendo amor e olha no resultado que deu. Isto vindo de um canal público dá que pensar. De certo que é uma política encoberta para incitar o aumento da taxa de natalidade, só pode. É daí que vem a ideia do simplex, malandro do Sócrates, lá que é simples é. Ora vejamos: uma idosa, várias fotos, uma longa vida de trabalho para dar o precioso contributo e um apresentador jeitoso que abrace de forma carinhosa as senhoras e lhes dê a mãozinha.
No canal seguinte está possivelmente a salvação daqueles que rejeitam tanto estímulo mental. Um jovem que corre com um cão azul à procura de algo com um cenário rosa por trás. O rapazinho não só fala com o cão como fala com alguém – que ainda ninguém percebeu muito bem quem é. Declaradamente um programa para crianças, mas, mais uma vez, demasiado exercício mental.
O canal diz que não entende as baixas taxas de audiências mas acho que está bem visível meu caro leitor: demasiada energia despendida mentalmente. Tenho dito.
E que tal pensarem no que entendem por crianças e depois qual o futuro que desejam para o nosso país? Sim, porque com este programa garanto que nos depararemos com dois grandes problemas: jovens que falem para as coisas erradas e um grave problema semiológico. Depois os que eventualmente vierem parar à ESCS queixar-se-ão dos testes surpresa e da facílima teoria de Peirce, sem qualquer tipo de razão, é claro. Isto já para não falar nas facadas dadas na nossa preciosa língua materna pois erroneamente crianças terão na cabeça que existem cães azuis mas que o pai e a mãe não gostam deles porque não lhes deram o dito cão azul. Por certo lhes mentiram ao dizer que tal coisa não existia quando eles viam (muito bem!) que o cão era azul, apesar de se chamar blue. Oh que confusão!
O meu caro leitor deve estar a pensar: está bem, mas ainda faltam dois, que tendes a apontar sobre os outros dois?
Ao qual eu te confesso que até me dá um forte ataque de urticária só de pensar nos dois restantes canaizinhos privados. Grr. Vou tentar que a minha urticária se transforme numa farpa que, por sua vez, provoque alguns danos naquela epiderme pesada e temerosa. Abaixo a tolice disse eu. Pois disse, mas a tolice é tanta, que nem sei por onde começar a enumerar.
Ambos os programas têm uma parte humorística em que aparece sempre um triste e brejeiro que fala invariavelmente mal português, umas vezes intencional, outras vezes não. Bem, depois temos de reflectir sobre o que se entende por comédia. Trocadilhos fáceis são geralmente as suas principais escolhas, onde a ordinarice é rei e impera. O público ri-se. O técnico faz sinal ao público para se rir. O público ri-se. Vá, agora um grande plano do senhor desdentado a rir-se!
Pergunta que valores passam para o espectador, leitor?
Que ser-se desdentado é bom!
De manhã, em vez de irmos ao dentista arranjar os dentinhos podres que nos dão aquele mau hálito desconfortável mas que permite ir à vontade na camioneta com uma clareira à volta, vamos aos programas de televisão.
Aí ouviremos tragédias, nunca antes narradas, que chamam declaradamente uma lagrimazinha ao cantinho do olho e nos fazem pensar “Que mundinho cruel o meu”.
De seguida ouvem-se mais quatro pessoas frustradas da vida que rogam pragas uns aos outros e competem sobre quem insulta e descredibiliza mais rapidamente, e de forma mais absurda, uma figura qualquer supostamente mediática onde vale tudo! Mesmo tudo. Desde filmes pornográficos onde se discute se a Elsa Raposo de facto pode ou não fazê-los com o actual namorado a criticas sobre o vestido de noiva da sobrinha afastada de um mafioso qualquer do futebol que ligeiramente abaixo da anca, vincava e ela parecia grávida, pelo que alguém maldosamente exclamava: “Ah! Em pleno século XXI casar-se de branco grávida”. Ao que alguém velozmente, passados dois perpétuos dias, desmentia a afirmar que ela é simplesmente gorda. Leia-se: com cinco gramas a mais acumuladas ali naquele sítio específico que apenas se vê com um zoom de 150% a gordurinha. Mas única e exclusivamente de perfil – atenção que é muito importante este pormenor.
Sem esquecer as pérolas do bom português: “Hades ver se ela estava gorda ou não”; “Ai não, a ex-namorada do Pinto da Costa não era uma prostituta, ai! Mulher da vida, ai! Acompanhante.”; “Tivestes razão aí, mas quando eu desfolhei a Ana atrevida dizia que o Pinto tinha achado que a senhora era dama de companhia por isso não faltes ao desrespeito”.
Assim se fala bom português na nossa televisão sempre muito bem moderada por eloquentes oradores: “Tem cinco minutos para falarem as cinco sobre ele disse o Goucha, ele disse a elas, não ouviram?”
Meu caro leitor tendes razão quando pensas que o código oral é mais flexível, mas a tolice tem limites.
Que valores e que linguagem estamos nós a passar na nossa caixinha mágica?
Damos voz aos coitadinhos onde os portugueses são preteridos por estórias. A RP da discoteca mais concorrida que já namorou com metade do elenco da novela do horário nobre é mais importante que alguém que dê prestígio ao nosso terreno à beira mar plantado.
Morte à tolice! Que infâmia! Que injuria!
Espero que esta urticária tenha trespassado para eles e que tu, meu fiel leitor, me compreendas e me apoies. Como seremos olhados no futuro? Espero que os próximos humoristas nos atribuam mais neurónios numa próxima análise, mas, com esta televisão, mais facilmente serão azuis que em maior número.
Agradeçamos este legado aos chefes de programação por zelarem pela nossa (falta de)inteligência.

Décimo Número do Subversivo

Todos Diferentes todos Iguais? Por Edgar Teles

A igualdade é um direito que, em princípio, deveria ser adquirido e, se bem que na prática legislativa já o foi, nas mentalidades ainda está longe de o fazer. A quando de um crime é hábito dizer este preto aquele cigano o que, no plano das mentalidades, revela ainda o que este povo conota a criminalidade com a designação étnica. No plano da globalização, Portugal representa a aldeia, não global, mas local. Desconfiada, escoondida, sempre com medo do próximo como nos meios menos urbanos. A acção e pensamento face ao outro são sempre na óptica da desconfiança pensando sempre os pontos mais pejorativos que este pode trazer. Lá vem aquele “macaco” roubar emprego aos de cá, lá vem aquele Ivan lá de leste de onde se comia crianças ao pequeno-almoço são expressões correntes em Portugal. Muitas vezes não é preciso rapar-se a cabeça e tatuar a suástica para se ser ou tomar atitudes xenéfobas, muitas vezes começam com aqueles frases maldosas gozando e humilhando as pessoas, quer pelo seu português, quer pela proveniencia delas criando um estigma nessas mesmas pessoas muito grande. A culpa do mal da sociedade, nesta óptica é sempre de quem é de fora mesmo que esses venham realizar a tarefa que o mui erudito doutor sapateiro português, que é também conde da enxada, não quer fazer. No plano das mentalidades há muito que mudar para que a a igualdade de direitos não seja mais tinta gasta, mas uma realidade nas mentalidades portuguesas. Aulas d eeducação civica, como muitras vezes me falou a minha amiga Cristina do décimo segundo ano, parecem-me, igualmente, uma forma de criar essa sociedade plural. É altura do galo campónio dar lugar ao relógio mecânico, assim como a mente do português a uma nova realidade.

Nono Número do Subversivo

Cowboy gay por Edgar Teles

Lá vem ele, Lá vem ele… quem… o cowboy gay
Do Texas ouves aiii, uiiiii … Hey
Vindo do Texas pela televisão levado
Está na casa branca esse estúpido veado
Armado com uma pistola de 3 milímetros
Em dias bons, nos outros não tem tamanho
Companheiro do Noody e de seu carrinho a fogareiro
Ambos gostam de ser lubrificados no traseiro
Para limpar-se no w.c o acordo de quioto
Fumado e defumado cheirando a petróleo
Para do seu interior despejar gasóleo
Nos açores um fim-de-semana romântico
Com o Blair os Aznar, suas gajas favoritas
O borroso, sua criada do quarteto o encanto
No Iraque lá vai ele no seu tanque moderno
Americanos cowboys iraquianos os índios
Tudo para esconder o seu binzinho
O Saddam já deu tudo
A guerra é um jogo de computador
Ninguém morre de facto, na sua mente claro
Lá vai, lá vai, lá vai o cowboy gay
Nas aulas de leitura ele revolucionou
Ensinou a ler livros ao contrário um novo método ensinou
Que estúpido que sou não é nada disso é como os americanos vêem o mundo
No Brasil lá estava e cansado de nada ter
Perguntou ao Lula His there any niggers in brazil
Tal comentário Lula ignorou com um mentecapto daqueles o que se pode fazer
Para desmentir a sua homosexulaidade lançou uma campanha vamos dominar o mundo
O ouro negro, o seu jogo de monopólio, a riqueza mundial vazia e sem fundo
Burro sem vergonha
Usando, para seu hálito disfarçar, moconha
Sem dar uma para a caixa com zero a inglês
Havendo em cada empresa falência a declarar
Burro da mais alta estripe confundiu francês com português
Nem ao Soares tal coisa acontecia
Lá foi, Lá foi, Lá foi o Cowboy Gay
Howdy Folks

Oitavo Número do Subversivo

Paris, por Susana Bravo

Paris bem respondendo ao meu amigo e caro professor de português não é decerto só a torre Eiffel e mais o arco do triunfo, não é só uma cidade de quem quer conhecer pelas belas coisas que pode ter e oferecer. Para o turista é esplêndido conhecer Paris, ele está só nesta atmosfera cativante e ao mesmo tempo, se preferimos exótica, original, basta descer no metro e encarar logo com as fachadas dos prédios maravilhosos que se avistam, nas gentes de todos os géneros que cruzam por nós, falando várias línguas e alguns dialectos; é um autêntico teatro de gente diferente que vem de todo o canto do mundo para conhecer esta magnifica metrópole em que o tempo corre. De dia é jovem e bela, de tarde já mais serena e à noite ainda assim mesmo está acordada. Gostamos desta cidade das luzes porque aqui há de tudo desde as pequenas e simples coisas como os postais originais a preto e branco, os quadros, as fotografias e os comerciantes eles decerto vindos de países longínquos que proliferam a cada esquina com um sorriso próprio de comerciante que querem vender o que tem ao turista é tudo muito bom e engraçado, levamos depois as fotografias connosco para a nossa casa e ficamos refastelados no sofá a saborear tudo aquilo que vimos e apreciámos, mas isso é a bela história de quem viaja e conhece paris através do turismo…quando habitamos nela começamos a ver que não é que mais uma cidade de gente como outra qualquer, um pouco mais agitada que a nossa querida Lisboa mas tão comum e banal como ela. A vida passa como para aqueles que estudam e trabalham todos os dias para aqueles que querem ter mais alguma chance no futuro, investindo nalgumas perspectivas não é mais nada que isso aqui as pessoas não vestem diferentes de nós nem é tudo louco, o dia-a-dia é tão rotineiro e normal como outro qualquer…os ideais são os mesmos a desilusão das pessoas é a mesma; encontram-se os mesmos problemas, a precariedade, o desemprego, a falta de meios para os imigrantes a mendicidade daqueles em que a pátria não lhes foi sua amiga.
O povo não é simplesmente um só, é um melting pot de várias raças e povos desde de portugueses, africanos, árabes chineses, alemães, muitos turistas etc. o lema dos franceses é fazer apelar às três ideias que surgiram na revolução francesa, liberté, égalité et fraternité e que podemos ver inscritas em todos os edifícios públicos. La solidarité é o velho disco dos magrebes que, de vez em quando, fazem as suas manifestações nas praças, e nas ruas às vezes lá ouvimos uns manifestos, apelando aos direitos religiosos com por exemplo o uso do véu e a igualdade.
O metro é cheio e antipático vemos as várias raças que confluem, o tipo que toca saxofone e todos os dias é assim, o cheiro das rodas gastas, o cheiro um pouco agonizante daqueles que pouco cuidado tem com a higiene, o cheiro a vinho dos dois indivíduos que beberam a noite inteira e estão estendidos nos bancos, é assim que se veste paris, pois la vie en rose é só para alguns que tem tanto que não sabem o que fazerem, e que continuam a explorar… a moda por incrível que pareça na minha opinião e na de muitos é um tanto demodé, é o mesmo estilo aqui todos adoptam o mesmo estilo, a mesma linguagem repista e calinada. A verdadeira intelectualidade só existe em alguns noutros é o esforço por parecerem intelectuais pegando num livro do metro mas pouco penetrados pelo que lêem preferindo talvez se interessar mais o que a outra trás vestida ou na fofoca da actriz e nos escândalos do nem sei quantos, aprendemos com isto que afinal de contas somos todos iguais e que a futilidade existe em todo o lado, os valores e os ideais são os mesmos, as injustiças também e a expectativa também.
Às vezes sinto-me deveras cansada e saturada com esta metrópole, mas de facto o perfume que inala das flores que a florista tem à porta da boutique e a elegância dos monumentos dá-nos um certo encanto e magia isto claro quando estamos fora, e nos encontramos sós como o tal turista que vem aqui para ver a cidade das luzes.

Saturday, February 17, 2007

Sétimo Número do Subversivo

APESAR DO AÇÚCAR...SÃO MUITO AMARGOS Por Fernando Junior

Lembro-me de uma vez os meus avós me mandarem para a cama mais cedo do que o habitual. Eventualmente, compreendi a razão: ia passar o “Die Hard” na televisão e eu, imbuído daquela curiosidade infantil, estava em pulgas para ver. Contudo, os meus planos saíram furados e só anos mais tarde pude assistir às acrobacias de John McClane, explodindo edifícios e matando os bandidos, tudo isto no meio de banhos de sangue, vidros partidos e cápsulas de metralhadora. A única razão pela qual não pude ver o filme da primeira vez foi porque a minha família achou que a exposição a um filme violento podia ter repercussões indesejáveis no meu desenvolvimento cognitivo. Ou seja, se hoje não sou um psicopata, grande parte deve-se ao facto de não ter visto o “Die Hard” naquela primeira vez.
Apesar do tom algo jocoso em que contei este pequeno episódio, estou grato à minha família por ter zelado por mim. Tomara que hoje em dia pelo menos metade dos pais fizessem o mesmo pelos filhos. Alguns simplesmente desistiram: sentem-se incapazes de lutar contra todos os meios de difusão de informação indesejável: se antigamente era apenas a televisão e bastava desligá-la, agora também há que lidar com Internet, videojogos, música...
Mas mesmo os resistentes, aqueles que ainda tentam defender os filhos de tudo isso, cometem quase todos o mesmo erro. Enquanto tentam desesperadamente impedir que o seu infante veja uns tiros ou umas mulheres nuas, deixam-no completamente exposto a um outro tipo de violência, se calhar mais danosa: a estupidez, a ignorância e a ocosidade.
Como é possível que os pais não achem que uma exposição diária de cerca de 4 horas (e às vezes até mais) a um mundo completamente utópico e irrealista onde todos têm bom aspecto, roupas de marca, telemóveis topo de gama e vidas caracterizadas pela facilidade e descontracção não será danosa para os seus filhos? Como é possível que fiquem parados enquanto os ídolos dos seus filhos são jovens que se espetam contra eucaliptos devido a condução sob o efeito de narcóticos, músicos sem qualquer talento e que apenas vendem a imagem (querem lá as suas fãs, de todo intelectualmente capazes, saber das músicas...) e outros tais que passam mais tempo na discoteca com as bebidas do que noutro sítio qualquer? E acima de todo, como é possível contribuírem para a corroboração desta ideia de um mundo onde tudo é fácil ao darem aos filhos precisamente as roupas de marca, os telemóveis topo de gama e uma liberdade quase sem limites sem os mesmos, na maioria dos casos, estarem preparados para lidar conscientemente com isso?
A meu ver, os jovens estão cada vez mais fúteis, irresponsáveis e mal-educados. São levados a desprezar todos aqueles que não podem ou não querem andar na moda e a exigir mundos e fundos dos pais de modo a serem “fixes”. Ser “fixe” é o grande objectivo da vida destes jovens, mais do que singrar na escola ou ter bons comportamentos e valores. Ah, e claro, tendo em conta que um dos epítetos da sua Bíblia televisiva é “Geração Rebelde”, é óbvio que derespeitar os pais e as regras é um sinónimo de honra e orgulho.
E querem saber porquê? Muito simples. Enquanto se tenta bloquear a nudez televisiva e cibernética e impedir que as crianças vejam pessoas a matar-se achando que é suficiente para criar o indivíduo perfeito e a maioria simplesmente não quer saber, não se gasta nem um segundo a explicar que os “Morangos com Açúcar” (bolas, não consegui terminar o texto sem mencionar o nome da série) não são nem nunca serão um exemplo a seguir e uma visão coerente do mundo real.

Sexto número do Subversivo

Direitos Humanos:
da antiguidade clássica aos nossos dias, por Alexandre Aranda
Artigo 1:Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos.
São dotados de razão e consciência e devem agir
em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.
Artigo 2: Todo o homem tem capacidade para gozar os direitos e
as liberdades estabelecidos nesta Declaração sem distinção de qualquer espécie,
seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza,
origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
Artigo 3: Todo o homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo 4Ninguém será mantido em escravidão ou servidão;
a escravidão e o tráfico de escravos estão proibidos em todas as suas formas.

Artigo 5: Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento
ou castigo cruel, desumano ou degradante.
(Declaração universal dos direitos humanos)
Será que na antiguídade clássica estes direitos básicos consagrados na Declaração eram cumpridos? Será que os gregos e, mais recentemente, a china imperial, ou já neste século, os EUA se preocupam com os Direitos Humanos?
Vejamos: que no Século II ou III a.C., altura da queda do Império Romano, o Hoem não se lembrasse de direitos humanos, ainda se poderia compreender. mas Será que hoje em dia isso já não acontece?
Na Antiguidade clássica, os artigos 3 e 5 da Declaração, que À data ainda não estava pensada, uma vez que só apareceu com a revolução francesa, não eram respeitados. Disso damos conta quando ao falarmos dessas civilizações nos apercebemos que utilizamos a palavra escravo.
Na mesma altura, mesmo na dita democracia ateniense, as mulheres eram impedidas de votar, mais uma violação flagrante à Declaração.
Na China Imperial, tinhamos um severo castigo para quem "falasse demais", era-lhe cortada a língua.
Em Portugal, ainda até ao 25 de abril tinhamos flagrantes violações À declaração, já que, embora tenhamos sido o primeiro país a abulir a escravatura, continuavamos com um grave problema: votações fraudulentas.
Quanto Às religiões, no mundo ocidental, dito civilizado, temos uma grande falta de liberdade, uma vez que tudo o que não seja cristão é posto de lado.
Nos EUA, o país que se considera o mais liberal do mundo ainda continua a persistir a pena de morte em alguns estados...Ainda hoje, também, continua a ver-se uma grande taxa de racismo no mundo. Será que isto é liberdade??

Friday, February 16, 2007

Quinto Número do Subversivo

Paris a velha cidade das luzes! por Susana Bravo

A famosa e velha Paris para muitos os que não conhecem é algo que soa a história; a outros cultura; a outros arte, e alguns tem a ideia que é só a bela cidade plena de monumentos situada no centro da Europa.
Mas paris como qualquer outra cidade não é só isso e aprendemos que o sentimento de um turista é bem diferente da de um residente!
Paris é agitada, cheia de vários povos e culturas, o tempo é curto e sem uma sensação de paz ou tranquilidade, a única coisa que se aproveita é quando vamos para um bosque ou para um jardim ao final da tarde e podemo-nos esquecer um pouco desta confusão.
Mas além do tempo curto e escasso, não nos podemos esquecer do tempo meteorológico que tem sempre aquele ar enfadonho e triste, tanto o tempo como os rostos das pessoas com que cruzamos diariamente.
Na sociedade parisiense é mais o “plaisir”, a conversa e aquele pseudo-intelectual, sem estando claro com isto a ofender a intelectualidade francesa que não é o que está em causa; mas na maioria dos casos esse pseudo intelectualismo supera a verdadeira intelectualidade.
Nos programas de televisão apela-se à liberdade que não é apenas nas eleições ou nas campanhas mas sempre, pois la vieille et traditionnel égalité fraternité et liberté apesar de inscritas em todos os ministérios públicos e em todas as câmaras não parece agir conforme o estipulado, e isso é bem notório pelas manifestações dos imigrantes apelando à la solidarité e de todos aqueles que infelizmente não tem condições e em que essa mesma liberté, égalité et fraternité não existe para eles, e isso é bem visível em relação aos que dormem ao relento cobertos de velhas mantas sujas emergindo de vez em quando um que pega num livro, esses que vivem lado a lado numa sociedade ociosa que investe nas marcas mais caras e chiques para parecer bem socialmente. Por detrás dessas mesmas pessoas há vidas obscuras sem sabermos o que nelas se esconde, pois aqui ninguém liga a ninguém! No metro o cheiro é imundo, aliás desculpem a expressão mas paris “tresanda”, tirando decerto o perfume das madames pois aqui os cheiros são muito variados…não só os cheiros como os povos; aqui vê-se de tudo desde de africanos passando por asiáticos, arábes etc…a aparência é a máscara não só claro desta como de qualquer sociedade, em que o ardor da vida quotidiana não para!

Thursday, February 15, 2007

Quarto número do Subversivo

Com amigos destes… , por Alexandre Aranda e Edgar Teles

Toda a gente sabe que os americanos gostam de barbecue, durante o fim-de-semana e muitas vezes durante a própria semana…
Mas fazê-lo durante uma guerra, não acham demais?! E para cúmulo dos cúmulos usando os ingleses como carne… é bem sabido que há ainda complexos coloniais entre os EUA e a Inglaterra… mas num campo de batalha aniquilarem aliados? Parece-me um pouco excessivo…
Com o investimento que os americanos fazem em armas, não poderiam desenvolver armas que distinguissem aliados de inimigos? É que um iraquiano e um inglês não são propriamente muito parecidos…
E isso até poderia, quem sabe, melhorar substancialmente a maneira de falar dos americanos, que já não poderiam dizer “oh shit” sempre que matassem um aliado nem tão pouco esconder que o fizeram, durante duas semanas, como aconteceu recentemente no Iraque…
Bem, mas isto são só danos colaterais, mas com amigos como os americanos… vocês sabem…

Terceiro número do Subversivo

Portugal, uma democracia?, por Edgar Teles

Eis uma questão que em noites de insónia social me coloquei: será Portugal uma democracia? A ascensão profissional é um facto que acompanha a família que tens, ou o nome que tens. O que leva a que os principais cargos, quer da função pública quer de privados sejam quase uma herança feudal. se estivéssemos em 1344 compreender-se-ia mas… em 2007!!!!! Numa altura em que o paradigma medieval deveria ser tema da pena de Jacques Le goff ou de qualquer outro historiador. No plano da participação da vida activa política os cargos políticos, a par da função pública, é uma hereditariedade vejamos o caso do clã Soares onde o filho da dita figura publica está ligado a politica sem ter um terço do carisma do pai. No plano das câmaras municipais os mandatos dos presidentes arrastam-se por vezes por anos a fio ou, em outros casos, partidos políticos enfeudizam varias regiões do país, caso do partido comunista na margem sul, ou do PSD na região da Batalha. Os caciquismos, apesar de mais disfarçados pelo partidarismo, não são uma realidade oitocentista. Uma democracia para ser sustentável reside numa pluralidade de escolhas que garantam, dentro do sistema, alternativas viáveis. O próprio comportamento dos partidos na assembleia da república, ficam os mesmos deputados independentemente das alas partidárias durante anos a fio não permitindo a entrada de novo sangue mais adaptado a realidade do pais. Oligarquia democrática, com toques de representação democrática, Feudalismo contemporâneo à uma série de termos que, a meu ver, melhor retratam a realidade politica do país. Portugal democrático acorda!!!!!!!!!!!!! Pois… já faz muitos anos que dormes, procura alternativas dentro do sistema. E preciso igualmente a criação de uma cultura de civismo, fundamental para o funcionamento da democracia. Portugal, quer no plano partidário, quer no plano politica age como uma oligarquia politica mais do que uma democracia. Tomem atenção as crias do lobo que uivou durante 50 anos ainda vive, a pretendem tomar a nossa realidade de assalto.

Segundo número do Subversivo

Contra Bolonha marchar, marchar! por Alexandre Aranda

Estamos há vinte anos na união europeia e há vinte anos que queremos ser os melhores em tudo.
Infelizmente, somos os melhores em algumas coisas, em que poderíamos e deveríamos ser os piores.
Senão vejamos: somos um dos países da dita união com maior taxa de analfabetismo, com maior taxa de presos, com maior taxa de infectados com HIV-SIDA, com maior taxa de alcoolemia em condutores.
Estamos há vinte anos na união, desde que eram somente 15 e pouco ou nada mudou.
Mas tentámos: aderimos ao Euro, que, aliás, fez subir o preço dos produtos essenciais vertiginosamente.
Até a Bolonha aderimos. Mas, infelizmente, em Portugal ter um canudo ou não, é praticamente o mesmo; acaba-se a faculdade e… desemprego, aqui vamos nós!
Foi para lutar contra isto que se criou Bolonha, um tratado que uniformiza o ensino a nível europeu. Mas, infelizmente, a maioria dos professores, senão todos, está insuficientemente preparado para Bolonha.
Senão vejamos: quem não se lembra dos problemas que existiram no inicio deste ano na universidade de Lisboa, principalmente na Faculdade de Letras, onde nada ou quase nada do que emanava da reitoria era respeitado.
A ideia de uniformizar o ensino a nível europeu não é nada má e eu concordo mas primeiro é preciso fazer algumas mudanças.
E quando falo em mudanças não são só a nível da literacia mas também a nível de valorização do produto português e das condições que os jovens têm que suportar na vida académica.
Portugal, este país à beira mar plantado, mais parece uma colónia de Espanha ou da China, tal a proliferação de lojas e produtos destes países que existem aqui!
É preciso investir também em algo que é muito caro a Portugal: o turismo. Além da cultura é claro! E da falta de acessibilidades para deficientes, praticamente inexistente.

Primeiro número do Subversivo


A Modelo, vista por Edgar Teles

Eis que passa, a rainha do palco,
Trajada de conquista, perfumada de sedução
Nela, a mais devota devoção!!!!
Airosa na sua pose, como um pavão,
Vaidosa no clique de sua fama
No seus lençóis suores e guerras de amor que perfumam a sua cama!!!!!
Para quem o seu preço pode pagar
Eis a modelo que desfila, pedaço de carne no talho dos ricos
Bocas em agua, olhos em pico
Pelo pedaço de carne que no seu leito podem devorar
Produto acabado para lágrimas do pobre, para consumo do rico
Ser artificial, sentimentos de papel
Papel amachucado pela fama da noite
Eis que passa a modelo, sorriso virtual como a sua simpatia
Senhora de propaganda centro de fantasia
Andar altivo de vassoura engolida, lábios bonitos de baton constituídos
Na sua agenda números de telemóveis razia de homens numa noite fria
No seu coração monumentos de futilidade erguidos
Números vazios, para seu mundano prestígio
Imagens ocas de tempos idos
Beleza artificial
Pobreza esquelética
Boneca recatada medicinalmente recriada
Para a mais perfeita imagética
Lábios de baton
Corpo 75% silicone (só??)
Cérebro oxigenado pela tinta do cabelo
Homem não é de sentimentos mas o rico com muito pelo
Arrota 500 euros, esse fidedigno camelo,
Lá foi a modelo velha nos seus 30 anos
Antes, reconhecida,
Hoje, esquecida,
Caixa de supermercado, lágrimas pelo passado
Antes admirada
Hoje, ignorada,
Chora por aqueles que rejeitou
E que os sentimentos desajeitou.