Monday, March 26, 2007

Trigésimo Número do Subversivo

Insólitas, por Alexandre Aranda

  • Será possível que não só em Portugal, mas também no estrangeiro, não se multe um condutor que ande a 270 Km/h, já que esse condutor conseguiu travar assim que a Polícia o mandou travar e no tribunal, os juízes alegaram que este condutor "não colocou em risco a vida de ninguém"? E eu a pensar que era só em portugal...

  • Afinal parece que para ser Primeiro-Ministro é preciso ter um canudo... O que o Eng. (será que podemos tratá-lo como tal?) não tem. Pelo menos é o que está na boca do mundo... Parece que a Ordem dos Engenheiros não reconhece nem o curso de engenharia ministrado pela UnI e muito menos o curso que foi ministrado ao nosso Primeiro-Ministro.

Sunday, March 11, 2007

Vigésimo Nono Número do Subversivo

Os velhos tempos da emigração por Susana Bravo

À la gare d’Austerlitz chegaram;
De roupa no corpo, e garrafão de vinho na mão,
Olhos perdidos de emoção, que farejavam tudo aquilo que viam,
À nova pátria chegaram para serem príncipes dum reinado inventado
Clandestinos por excelência, amadores da pobreza e da dureza,
traficantes duma heroína de vida que a apelaram de conquista,
Ciganos por trato e por título, dormiam em bindovilles,
Não eram nada! Fome e pobreza atravessaram, letras ignoravam
Força tinham nas mãos,
Pensamentos de construtores de prédios que edificavam,
Um pedaço de terra desejavam na pobre pátria que abandonaram,
Vendedores de auto-estradas e caminhos-de-ferro,
que tão bem amado seu nome ficou
Filhos desprezavam e amavam por serem deles, mas no ardor e na alma alguma coisa chamava mais forte…
Amor pela pátria não renegavam, mas com o tempo foram esquecê-la
De francês nada sabiam, português muito mal…
Hoje ainda os vemos misturados pelo cansaço e pela destreza envolta na sapiência da vida,
De rostos alegres pelo sol e olhos tristes pela música
Unidos e ao mesmo tempo aventureiros ainda não conhecem a evolução,
Semi-francofonos dum lado, despatriados doutro,
Arrastam sua pronuncia com alguma mistura de francês,
Filhos da terra chacinada e mal tratada a evoluíram com seu trabalho
Reclamam o reconhecimento e a culpa a quem não os ama,
Trazem a intriga popular e a devoção,
Mais forte que a miséria é a sua educação
Vitimas e culpados da ignorância,
Inocentes e respeitados pela vida de sacrifício
Abrem as portas àqueles que conhecem,
mas calejados se tornaram com os anos que passaram
Filhos duma nação que por vezes não tem nome.
Que os matem esquecidos,
de pátria mãe a chamaram ao seu País
Fado é o seu destino,
Revolução a aclamaram
como desejo de partida à progressão.

Saturday, March 10, 2007

Vigésimo Oitavo número do Subversivo

Estaremos a regredir para o tempo da ditadura?, por Alexandre Aranda


Infelizmente, parece que ao fim de 30 anos de Democracia estamos a regredir novamente para um estado de Ditadura, a que nem a televisão escapa... Infelizmente, o grupo do Gato Fedorento, do qual, confesso, não gostava muito até ao Diz que é uma Espécie de Magazine, foi obrigado a deixar de lado uma das rubricas mais engraçadas do seu programa, uma vez que a Direcção de Programas da RTP, pelo menos oficialmente, porque eu penso que tenha vindo do Sr. Eng. Pinto de Sousa (vulgo José Socrates), os obrigou a deixarem essa rubrica de lado... Será que voltámos À ditadura?

Wednesday, March 7, 2007

Vigésimo Sétimo Número do Subversivo

O homem de borracha

Menino pobre, filho de uma família que mal tinha dinheiro para o pão e vinho sobre a mesa que Amália imortalizou. Era assim naqueles tempos do regime salazarista. Com apenas 11 anos Manuel Bento teve de se fazer homem à pressa e ir trabalhar como ajudante de pedreiro para que os dias fossem menos negros.

Como homeme grande atravessou a meninice, alimentando a cada dia o sonho de que o futebol lhe suavizasse mágoas e o resgatasse da miséria que por essa altura assombrava a grande maioria dos lares portugueses. Assim, com apenas 15 anos começou a escrever uma verdadeira ode ao espírito de sacrifício, que a vida era para ser encarada de mangas arregaçadas. Tornou-se guarda-redes do Riachense e para se treinar tinha de percorrer todos os dias, ao fim de horas e horas a trabalhar no duro, cinco quilómetros de bicicleta.

Jogou depois mais pertinho de casa, nos juniores do Goleganense. Um dia chegou de Lisboa convite para se treinar à experiência no Sporting. Durante três meses viveu no lar de Alvalade. Um dirigente disse-lhe uma vez que deveria voltar à Golegã para convencer a gente lá da terra a dar-lhe a carta de desvinculação sem que os leões pagassem um tostão. «Tamanha injustiça para um clube tão pobre», pensou. Falou mais alto a dignidade quando disse não. Fez a mala e regressou. Na camioneta um único pensamento lhe invadia a alma: no Sporting nunca jogaria, nem que lhe dessem todo o dinheiro do Mundo.

A fantástica história do menino que não quis prejudicar o clube que o formou atravessou o Tejo, chegou por portas e travessas ao Barreiro. Em 1966, a troco de 15 contos, ficou acertada a contratação do promissor guarda-redes pelo Barreirense.

Dois anos mais tarde já notícias do seu talento atravessavam o país de lés a lés. Chegara a hora da vingança pelo que acontecera anos antes. O Sporting corria embalado para o título quando o Barreirense foi a Alvalade. Bento defendeu tudo o que havia para defender e trocou o passo aos leões. A admiração dos benfiquistas terá começado nessa tarde. Aumentou no ano seguinte, quando o guarda-redes foi decisivo para o quarto lugar do Barreirense, que levou o clube à Taça UEFA.

Depois de tanto sofrer, a vida começava a sorrir-lhe. A 8 de Dezembro de 1970 um fabuloso convite fê-lo sentir-se nas nuvens. Um sonho, jogar no Estádio da Luz, na festa de homenagem a Mário Coluna, representando uma selecção do Mundo recheada de estrelas. Nesse jogo em que defrontou o Benfica foi suplente do mítico Yashin. Fez exibição de sonho. Os dirigentes encarnados nas bancadas, de boca aberta, juraram que o contratariam. Conseguiram. Assinou em Agosto de 1971.

Quando chegou era José Henrique dono e senhor das balizas da Luz. Com Pavic como treinador, em 1974/75 tudo mudou. Nas asas de Bento o Benfica voou alto. Mas foi de quinas ao peito que, em Glasgow, assinou tão portentosa exibição que os jornalistas ingleses lhe colaram o epíteto de... homem de borracha.

Há quem passe a vida disfarçado de homem simples mas de quando em vez não resiste a transformar-se em herói. Bento também não resistiu... Num gélido dia, em Moscovo, com o Torpedo como adversário, a eliminatória resolveu-se no desempate por pontapés da marca da grande penalidade. Defendeu dois e, talvez por inspiração divina, arregaçou as mangas e foi marcar o derradeiro. Golo... O Benfica seguiu em frente.

Bento viveu também momentos de pesadelo. O seu chama-se Saltillo. O pesadelo dos portugueses chama-se... México-86. O pé calcou mal a relva, o sofrimento, esse, fez doer bem mais a alma. De novo o fado a reger os destinos de Portugal. «Para além de ter sido a minha desgraça, foi também a desgraça de Portugal. Quando me lesionei houve jogadores que entraram em pânico, dizendo-me ao ouvido que comigo de muletas o sonho tinha acabado. Sinceramente, acho que se não tivesse tido aquele azar não teria, sequer, havido... Saltillo no futebol português. Mas, como há males que vêm por bem, mal seria não ter havido Saltillo...».

Retirado integralmente de 60 heróis da nossa vida, revista oferecida pelo jornal A Bola em 29/01/2005. Autor desconhecido.



Homenagem a Manuel Galrinho Bento, falecido a um de Março de 2007, aos 58 anos, vítima de ataque cardíaco.

Viségimo Sexto número do Subversivo

Fa(c)to de engano por Edgar Teles

E verdade, lá vai na rua, nos escritórios, nos almoços esse pavão com plumas corvo que se faz de importante. Ele traja um fato e eis…!! todo o mundo olha, ele pode ser o maior cabrão que existe a face da terra, muito intriguista, muito elitista, um analfabeto cultural, mas não importa tem o fato logo é importante. O português padroniza as pessoas, mais do que pela a sua essência, pela forma como se apresenta. Um fato elegante é logo sinónimo de sublime, de honrado senhor, de grande prestígio, e de alta estripe, enquanto que pessoas que se trajem de outras formas são sempre vistas como mundanos sem classe cínicos. Pois é… esses eruditos parvos esses palhaços de gravata cuja temática de conversa é as suas conquistas na noite, o futebol, os locais onde foram (para exibir sua riqueza). Conversas que revestidas da mais patética mundaneidade, e da mais erudita parvoíce. Seres que devido a sua disfunção psicológica, dada a suas inaptidões para as artes, sofreram uma mutação genética no àlito sendo de aroma de perfume de esgoto. Esses mesmo que na sua elegância visual não revestem, igualmente, o seu comportamento sendo de uma má educação extrema querendo passar à frente de toda a gente. Nas ruas puxa sempre o seu colarinho, tanto, tanto, tanto, para realçar a marca da sua camisa. Ou… quando não é o seu anel de ouro, ou falar muito alto nas ruas, para que todos admirem o seu telemóvel ultimo modelo. O português projecta na aparência padrões de comportamento os quais não são assim tão estanques na sociedade portuguesa, o fato protagoniza a essência da imagem, essência que é tipicamente portuguesa. Pois é parece que o episódio das corridas de cavalo nos maias ainda não foi bem compreendido passado mais de cem anos. Não importa vestir pierre cardin quando o espírito está revestido de lã da aldeia. Antes de trajar o corpo deve-se trajar a mente, de cultura, de sensibilidade, de humildade, o que em Portugal não se faz sendo o fato, de facto, um elemento da hipocrisia social portuguesa. Uma pessoa vale mais quando está trajada a sua personalidade e carácter, de mui nobres valores, do que quando está trajado o seu corpo. A que sacudir Portugal do jugo da aparência que desvaloriza o eu. Claro que em Portugal falta uma cultura de indivíduo, não de individualismo, que faça valorizar o eu interior facto que distingue países desenvolvidos de países subdesenvolvidos. Como pode Portugal ser desenvolvido se a gravata do fato estrangula a aparência social?!!!